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Henrique IV

Há vinte anos. Um homem. Uma cavalgada histórica. Um acidente. Uma queda que provocou uma paragem temporal. Um actor que passou de fingir a viver a personagem. Henrique IV da Alemanha, século XI. Um homem que a partir do trágico momento passou a viver longe da sociedade e longe da concepção do homem do século XXI.

Vive encerrado numa casa onde são contratados actores para representarem personagens da corte alemã do séc. XI. Matilde de Toscana, Adelaide de Susa, Abade de Cluny, conselheiros secretos da corte. As personagens são criadas dia a dia para poder dar continuidade a esta loucura. O marquês Carlo di Nolli vê-se obrigado perante o último pedido da mãe, irmã do Henrique IV, a curar este último, para isso contrata um psiquiatra, a mulher que cavalgava lado a lado com Henrique IV na dita cavalgada e o seu amante.

O plano parece correr bem, mas há um grande senão, o homem que representara todos estes anos, afinal não está louco. Há oito anos que a crise mental passou, mas este apercebeu-se que não valia a pena viver num mundo cruel, inconstante, onde a única coisa que temos certa na vida é o nascer e o morrer. Escolhe permanecer na personagem, uma personagem que já tem a sua história toda escrita, não pode ser mudada, uma vida muito mais real do que a nossa. Para conseguir permanecer neste mundo que é só dele, continua a fingir que é louco, manipulando todas as pessoas para entrarem no seu mundo.

A cura não existe, é a conclusão que chegamos nós, e o grupo convidado, não há cura para quem quer permanecer “louco”. É uma escolha, e assim Henrique IV permanece e vai permanecer sempre Henrique IV.

Uma peça que reflecte o verdadeiro valor da vida, o verdadeiro valor da palavra e das crenças pessoais. Um espectáculo que brinca com o público, alargando o tapete de Peter Brook até ao último lugar da plateia. Um espectáculo que destrói a concepção de espectador passivo. Um espectáculo altivo e pictórico, inspirado por Bob Wilson.

© 2017 por Companhia de Teatro Andrómeda. 

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