top of page

Loop 4

O conceito de Deus, como ser amante e amado, reina neste espetáculo. A imagem estética desta figura faz mover multidões, faz com que estas se revoltem contra a profanação desta figura sem rosto. Os Homens atarefam-se a defini-la, a materializa-la, a amá-la.

Os quatro homens de Enda Walsh são o epicentro destas diferenças socio-culturais,

meramente preceptivas. Tal como Walsh, nós colocamo-los numa piscina vazia, podíamos coloca-los numa rua da Jordânia ou no glaciar em pleno mar nórdico. Mas percebemos que a piscina é o epitáfio perfeito das relações humanas, e destas com a fé.

Este quadrado fechado passou a ser o palco para um reality-show ao estilo das comédias românticas americanas com ligeiros toques pseudo-depressivos. Estes quatro homens, Fox, Gus, Owl e Alli lutam, tal como animais famintos por um bocado de carne, pelo amor d’Ela, a personificação idealizada do amor. Lutam todos os dias, demonstrando o seu carisma e paixão em atos exacerbados e excêntricos para a conquistar.

 É a materialização de uma realidade futura e imaginada, o seu falhanço, que os faz perder todas as individualidades e unirem-se para a poderem conquistar.

Há sempre uma dúvida no cogito destas personagens – Será o amor o propulsor do seus animo ou somente a ânsia de não perder para o outro.

Todos os seus esforços são e serão sempre esmagados pela afirmação incontornável de Nietzche[1]. Mas também é nela que eles colocam os seus e os nossos medos.

 

[1] «Deus está morto».

Ficha Técnica

Encenação:João Henriques

Interpretação: Afonso Molinar, André Leitão, André Lopes e Guilherme Moura

Produção: Valter Teixeira

Direcção de Cena: Joana Duran

Designer de Luz: Paulo Santos

Designer Gráfico: André Cairrão

Classificação etária: M/14

© 2017 por Companhia de Teatro Andrómeda. 

© Copyright
bottom of page